Pesquisa:
  QUEM SOMOS
  ARTIGOS
  CÓDIGO DE ÉTICA
  CONEXÕES DE INTERESSE
  CURSO PRESENCIAL
  ENTREVISTAS
  ESTUDO DE CASO
  ÉTICA E NEGÓCIOS
  MONOGRAFIAS
  NOTÍCIAS
  SALA DE LEITURA
  TESTE DE ÉTICA

      ARTIGOS


Informalidade frente às empresas: e a ética?
Muitas empresas enfrentam hoje a concorrência de pessoas ou “redes” que optaram por não trabalhar em organizações legalmente constituídas. Na informalidade, vendem produtos por vezes de procedência duvidosa, fogem da carga tributária, previdenciária e trabalhista e usam de expedientes pouco éticos para auferir seus lucros. Principalmente nas grandes cidades, aumenta a presença dos camelôs, dos bazares, e outras formas ilegais de praticar o comércio. Institucionalizou-se o mercado informal.
Estudos do IPEA/Cury e Menezes Filho, e da McKinsey e Banco Mundial, já forneciam dados interessantes: em 1990, no Brasil verificou-se o maior índice de formalidade para os profissionais na faixa de 8 a 11 anos de estudo: cerca de 50% do mercado, tendo decaído para 35% em 2000. Para faixas de menor escolaridade, a formalidade decaiu, de 33% para 24%. Nesse período, dentre os profissionais que saíram da formalidade, 9% migraram para a economia informal, enquanto 6% ficaram inativos, 4% passaram a trabalhar por conta própria e 3,5% permaneceram desempregados. 
Uma pesquisa realizada em 2016 pelo Instituto de Ética Concorrencial (ETCO), em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE) indica que a economia informal no Brasil cresceu, pelo segundo ano consecutivo,  e representa 16,3% do Produto Interno Bruto (PIB), movimentando R$ 983 bilhões. Esse valor suplanta o PIB das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Os dados divulgados pertencem à pesquisa A informalidade, a pirataria e a sonegação ganham espaço no atual cenário de crise econômica pela qual passa o País.
Um dos obstáculos para que se reduza a informalidade no Brasil pode ser o tempo necessário para abrir uma empresa no Brasil, que é muito alto em relação à média mundial ou a países semelhantes, como o México e a Argentina.  Outro possível obstáculo pode ser a cultura brasileira da “malandragem”, do “jeitinho”, da má fé ou da preguiça de realizar um trabalho honesto.
O impacto da informalidade recai negativamente sobre muitas empresas, em especial de alguns ramos da indústria e do comércio varejista. Um sinal dessa insatisfação é a criação de institutos que aglutinam grandes empresas para combater a concorrência ilegal e antiética. Exemplos dessa iniciativa são o IDV – Instituto para o Desenvolvimento do Varejo e o ETCO - Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial.
O caminho para reduzir a informalidade dos negócios e do emprego vem sendo trilhado pelo governo federal, num projeto que procura minimizar o problema enfatizando o papel do empresário individual. A idéia é estabelecer um regime tributário, previdenciário e trabalhista para quem fatura anualmente menos que R$ 36 mil. Com isso, pequenos negócios podem se beneficiar e fortalecer, passando a ter acesso ao crédito, a emitir notas fiscais, a aumentar sua produtividade e, o que é mais importante, trabalhar com ética.
 
(#) Profa. Dra. Maria Cecilia Coutinho de Arruda, LPEC
Membro do GEES – CRASP
Diretora – Hetica Treinamento Empresarial
Presidente ALENE – Associação Latino-americana de Ética, Negócios e Economia
 
14/12/2016


[Versão para impressão] [Enviar para um amigo]



 
Untitled