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      ENTREVISTAS


 Valdir Cimino *

Site -  Como foi concebida a idéia do contador de histórias em que você se transformou?

Valdir Cimino - Sempre fui apaixonado pelo mundo das Comunicações. Iniciei minha vida profissional muito cedo. Em 19779 tive a oportunidade de começar na publicidade pela McCann Erickson, atuando no departamento de mídia. Nesta época adquiri a consciência sobre o poder que uma campanha de comunicação precisa ter para causar impacto e ganhar espaço na mente do cidadão consumidor.

Esta consciência ganhou força quando, em 1997, me vi sentado no chão do corredor do 4º andar, ao lado de uma criança internada no Instituto de Infectologia Emilio Ribas, lendo uma história. Ela tinha 9 anos e nunca havia manuseado um livro. O ambiente era aterrorizador, sem espaço para o lúdico, para o sonho de ser alguém no futuro.

Percebi a responsabilidade e a força que o homem mídia pode ter sobre o conteúdo que ele promove. Somos veículos de comunicação e temos a capacidade e o poder de motivar vidas. Foi através da leitura e brincadeiras que a dor cessou e deu lugar a felicidade, cultura e educação.

Site -  O que o motivou a fundar a Associação Viva e Deixe Viver?

Valdir Cimino - No início dos anos 90 participei do time que preparou o lançamento da MTV no Brasil. Conheci amigos que me incentivaram a morar fora do país por uns tempos. Por meio da Fátima Ali, da Editora Abril, consegui um estágio no grupo Viacom (canal MTV) e outro que conquistei à unha na USA TV. Acabei indo morar em Nova York onde, além de estagiar e estudar, me interessei pelo desenvolvimento do Terceiro Setor. Passei a freqüentar uma organização da sociedade civil na qual pessoas da melhor idade doavam parte de seu tempo conversando com estrangeiros. Aceitei a sugestão da Sra. Emily, uma das senhoras que atuavam na entidade, e me alistei para ser voluntário da Saúde. Descobri a importância do treinamento e capacitação constante que os voluntários precisam ter para sanar problemas sociais de forma competente, chegando a produzir indicadores de resultados, ou seja, ter consciência do que é ser um voluntário contemporâneo na SAÚDE, ser compromissado pelo trabalho e resultados e ser motivado pela constância do doar.

Voltei ao Brasil assim que recebi um convite do Octávio Florisbal, da Rede Globo de Televisão. Em novembro de 92 implantei o departamento de Comunicação Mercadológica da emissora. Neste período passei a ajudar as crianças e adolescentes do Instituto de Infectologia Emílio Ribas de uma forma muito assistencialista, doando brinquedos, livros, material escolar e colaborando nas festas de Natal.

Em agosto de 97, a convite do Pe. João Mildner, da Capelania Católica do hospital, fui conhecer as crianças que ajudava e percebi que levei cinco anos para tomar esta decisão. Arrumei tempo em minha vida ao verificar o descaso com os direitos da criança e do adolescente na saúde pública. Passei a marcar ponto no hospital-dia todas as terças-feiras pela manhã, bem cedinho. Histórias com a primeira refeição do dia. Histórias para acordar.

Site -   Você publicou um livro intitulado O Papel do Educador na Era da Interdependência. O tema é de suma importância para o resgate dos valores da nossa sociedade. Quais as características da Era da interdependência?

Valdir Cimino - O conceito da aprendizagem significativa é o ponto central da teoria desenvolvida pelo psicólogo norte-americano David Ausubel, em 1963. A teoria propõe que haja uma conexão entre os novos conhecimentos adquiridos e os conhecimentos que o aluno já possui. A idéia é simples, mas, para colocá-la em prática, é preciso que o professor desça do pedestal de superioridade em que normalmente se coloca e esteja disposto a mostrar todo seu conhecimento aos estudantes, auxiliando no processo de relação e confronto do conteúdo adquirido na escola e ao longo da vida. A palavra interdependência se fez presente e creio que é a primeira vez que se fala dela na educação. Trabalhado pelos budistas há séculos, o conceito de interdependência ganhou espaço no ocidente após a Segunda Guerra Mundial e sugere que nenhum fato, processo ou mesmo indivíduo existe isoladamente: tudo é resultado de uma complexa rede de causas e condições que estabelecem relações de dependência mútua. A comunicação se tornou imprescindível nos relacionamentos humanos para o estabelecimento da ordem mundial na economia e nos aspectos social e ambiental.

Site -  Conte-nos, por favor, qual a sua experiência ao realizar a pesquisa sobre os  valores na educação. Quais os principais valores que devemos resgatar?

Valdir Cimino - Fui convidado a lecionar Promoção e Marketing em TV, no curso de RTV da FACOM FAAP em 1999. A disciplina que me foi apresentada trazia características do meu dia-a-dia atuando na Rede Globo. Sou apaixonado por pesquisa e decidi implantar, a cada início de semestre, uma sondagem denominada CONHECENDO MEU ALUNO, uma forma de melhorar o conteúdo das aulas. Para escrever o livro apliquei a mesma pesquisa em jovens universitários dos cursos de Comunicação, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Rádio e TV e Psicologia. A pesquisa se baseava em duas perguntas fundamentais: o que o aluno entende por cidadania e qual seu propósito de vida. Na primeira pergunta, os alunos relacionavam a cidadania aos direitos e deveres do cidadão, assim como à ética e à moral. Em um segundo momento, os estudantes indicavam também as idéias de respeito, consciência sobre o planeta e os valores essenciais de convivência, como união, respeito, ética, fraternidade e diversidade. Também atentamos para o valor da interdependência, que normalmente está vinculado a assuntos de economia, e para a diversidade étnica, cultural e social dos alunos que dividem uma mesma sala de aula. Esses são assuntos que ganharam importância atualmente e o professor precisa estar capacitado para lidar com essas diferenças.

Site -  Em que medida a sua especialidade em marketing e comunicação contribui para apresentar aos jovens, que parecem tão vazios e carentes de valores, um sentido para suas vidas?

Valdir Cimino - Na graduação em Comunicação Social, na ESPM, Aylza Munhoz foi minha professora de Marketing e me apresentou o conceito mais simples desta profissão: “O conjunto de atividades que têm por objetivo a facilidade e realização das trocas”. Com a educação, não é diferente. O educador, com seu grupo de alunos, deve buscar seu próprio ritmo, e juntos construírem seus conhecimentos com uma visão ampla de mundo. Os valores são a base deste relacionamento.

Site -  Marketing e comunicação. Existe marketing humano?

Valdir Cimino - Faço parte do comitê de Melhores Práticas da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) há mais de 10 anos. Em 2005 coordenei uma pesquisa com jovens de empresas juniores que deu origem ao Manual de Responsabilidade Pessoal - Atitudes do Profissional de Marketing, Hoje e Amanhã.
A publicação tem como objetivo difundir as habilidades que o mercado exige da postura pessoal do gestor, do seu papel na sociedade como realizador e da sua responsabilidade como consumidor e cidadão.
O tema "Responsabilidade Pessoal" foi escolhido porque deriva diretamente da "Responsabilidade Social”. O Manual leva em conta também questões ligadas ao talento e à qualificação. É dirigido principalmente ao profissional de Marketing, para estimulá-lo a agir baseado em virtudes que interfiram positivamente nas decisões das organizações, para a construção de valores responsáveis, práticas e relações éticas e uma sociedade mais justa. link: http://www.mundodomarketing.com.br/downloads/manual.pdf

Site -  A sociedade sofre a influência da explosão dos meios de comunicação, que aliados à tecnologia exercem um papel cada vez mais impactante. A tecnologia desumaniza ou pode ajudar a resgatar a dignidade da pessoa?

Valdir Cimino - A saturação de informações dos meios de comunicação no mundo atual é uma nova realidade que faz com que o educador assuma uma outra função frente aos estudantes. O jovem, mais do que nunca, quer um educador que compactue com ele, que troque e permita a troca de informações. Até porque a tecnologia possibilitou a esses jovens um maior acesso a leitura, informação, conhecimento - o que até então era mediado pelos professores e tutores. Os estudantes querem que o processo educacional seja mais divertido, que traga uma prática interativa e criativa, com discussões e bate-papos. Hoje, os educadores têm que apresentar as matérias em formato e linguagem diferentes, por exemplo, por meio de cases que mostrem para os alunos os resultados práticos da aplicação de um determinado conhecimento.

Falamos durante muitos anos que a educação é a grande salvadora da pátria. Já quando se fala do processo de educação relacionado à tecnologia, percebemos que o grande entrave ao seu desenvolvimento é que a educação foi relegada e não faz parte há alguns anos das prioridades do país. Isso acaba por se refletir em outros setores da sociedade, resultando em um sistema de saúde ineficiente, na falta de cuidado do meio ambiente e por aí vai. Uma forma de reverter essa realidade é através do uso consciente dos meios de comunicação, já que grande parte da população tem acesso a veículos como rádio e televisão, e a cultura do país já está habituada a esse tipo de recepção midiática.

Valdir Cimino - Diretor Fundador da Associação Viva e Deixe Viver, Sócio Diretor da CSpro – Assessoria em Comunicação Social e Coordenador de Relações Públicas da FACOM FAAP - Faculdade de Comunicações da Fundação Armando Álvares Penteado.

31/5/2008


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