Pesquisa:
  QUEM SOMOS
  ARTIGOS
  CÓDIGO DE ÉTICA
  CONEXÕES DE INTERESSE
  CURSO PRESENCIAL
  ENTREVISTAS
  ESTUDO DE CASO
  ÉTICA E NEGÓCIOS
  MONOGRAFIAS
  NOTÍCIAS
  SALA DE LEITURA
  TESTE DE ÉTICA

      ENTREVISTAS


 Vitor Seravalli *

Site - O foco dado pelo CIESP em 2007 em relação à sustentabilidade empresarial revelou a importância do tema e sua abrangência. Poderia dizer-nos o que é, afinal, sustentabilidade e qual o seu princípio básico?

Vitor Saravalli - A melhor definição de sustentabilidade que conheço é a do Relatório Bruntland, que a define como: "suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas". Seu princípio básico é a atitude de enfrentar os desafios do crescimento numa visão de longo prazo.

Site - Como praticar a sustentabilidade? Trata-se de atitude reservada às empresas ou cada cidadão deve assumir essa bandeira?

Vitor Saravalli - Praticar sustentabilidade é pensar, planejar, e agir com os pés no presente, mas com os olhos no futuro. A sustentabilidade passa a ser compreendida como uma competência individual e organizacional que será fundamental para que a sociedade vença os desafios que o movimento inevitável da evolução nos apresenta todos os dias. O indivíduo que incorpora essa competência aplica os princípios do desenvolvimento sustentável em sua própria vida, em sua casa; e leva essa experiência para as organizações ou grupos com os quais interage, para a empresa onde trabalha. A empresa consciente desse fundamento incorpora as competências individuais numa estratégia que estará integrada ao seu capital intelectual e ao sucesso de seus negócios.

Site -  Quais as ações que estão sendo praticadas pelas empresas em prol da sustentabilidade?

Vitor Saravalli -  Há diversos exemplos de empresas que já atuam dentro das premissas da sustentabilidade. Estas empresas planejam seus negócios buscando um equilíbrio entre os pilares: Econômico, Social e Ambiental. E a melhor forma de efetivar esse equilíbrio, é garantindo que o mesmo seja materializado por uma estratégia, com foco em resultados, e adequada às expectativas de todos os seus públicos de interesse (Stakeholders).
De forma simples, eu citaria o compromisso real das empresas em relação aos princípios do Programa Pacto Global e aos Objetivos de Desenvolvimento Milênio, ambas iniciativas propostas pela Organização das Nações Unidas, como ações práticas e efetivas na direção da sustentabilidade.

Site -  Somente as empresas de grande porte têm condições de implantar a gestão da sustentabilidade, ou as pequenas e médias empresas podem assumir tais práticas sem comprometer o lucro?

Vitor Saravalli - Esse é um mito, entre outros, que precisa ser eliminado. Incorporar sustentabilidade pela opção por investimentos sociais e/ou ambientais em sintonia com os objetivos dos negócios é mais uma questão de atitude do que financeira. Por esse motivo, acredito que mesmo as empresas pequenas e médias podem e devem atuar de forma sustentável, desde que compreendam seu papel transformador na sociedade.
De qualquer modo, minha percepção é de que o processo de compreensão e de conscientização ainda está numa fase inicial de evolução, principalmente para as empresas pequenas e médias.

Site -  Como conquistar o comprometimento dos acionistas das empresas com as práticas de sustentabilidade?

Vitor Saravalli -  Algumas Bolsas de Valores já desenvolveram índices que evidenciam um maior valor das ações das empresas que atuam de forma sustentável. Por exemplo, o Índice Dow Jones de Sustentabilidade (Dow Jones Sustainability Index - DJSI) reúne uma série de indicadores econômicos, sociais e ambientais que demonstram a consistência das iniciativas das companhias listadas na Bolsa de Valores de Nova York, nessas áreas estratégicas para seu negócio.
No Brasil, essa tendência já teve início e há expectativa de que ela cresça e se consolide rapidamente. Atentas a isso, a BOVESPA, em conjunto com várias instituições
decidiram unir esforços para criar um índice de ações que seja um referencial para os investimentos socialmente responsáveis, o ISE-  Índice de Sustentabilidade Empresarial.
 
Site -  Qual a relação entre Responsabilidade Social Corporativa e Sustentabilidade?

Vitor Saravalli - Responsabilidade social corporativa e cidadania corporativa são conceitos que muitas vezes são compreendidos como sinônimos de Sustentabilidade. Minha interpretação é que a responsabilidade social das empresas é um caminho que pode conduzir à sustentabilidade.

Site -  E a ética nas empresas e nos negócios, que papel desempenha nesse contexto?

Vitor Saravalli - A ética é um valor essencial e fundamental para a sustentabilidade.
Os caminhos do desenvolvimento passam inevitavelmente por um processo de escolha onde a opção pela ética estará totalmente vinculada ao compromisso com elos de conduta adequados às expectativas primárias da sociedade. Outra opção qualquer poderá trazer sucesso temporário, mas que se apresentará frágil e insustentável no decorrer do tempo.

Site -  A empresa pode ser vista apenas como um conjunto de contratos econômicos, mas também, como uma comunidade humana em si mesma e como parte de uma sociedade mais ampla, priorizando valor social. Como harmonizar o valor econômico e o social?

Vitor Saravalli -  Embora entenda que a filantropia seja necessária, trabalho pessoalmente com o conceito de que a sustentabilidade deva estar baseada em ações, atividades, e projetos que, atendendo a demandas da sociedade e do meio ambiente, tragam no final os impactos concretos e positivos ao objetivo primário de qualquer empresa, ou seja, o lucro. Não basta que a sustentabilidade seja desejável. Ela tem que ser essencial para os negócios da empresa; e para que isso ocorra, ela deverá impactar os resultados econômicos. Como consultor desse tema tão desafiante e apaixonante que é a sustentabilidade, não quero ser percebido como um ente benevolente que busca, combativamente, ajudar a sociedade a se preservar. Quero, isso sim, compartilhar minha experiência e dar o apoio e o conhecimento necessário para que as empresas liderem seu processo de desenvolvimento acessando o capital atrativo de novos mercados, satisfazendo às necessidades de seus futuros consumidores, pagando dividendos adequados aos seus acionistas, e também capacitando e cuidando de seus funcionários, apoiando o desenvolvimento das comunidades de seu entorno e preservando o meio ambiente. Seus investimentos ainda devem buscar integração com o setor governamental e com todo o conhecimento existente dentro da sociedade civil organizada (ONG’s).

Site -  Como compatibilizar a eficiência e a eficácia das empresas com a Responsabilidade Social Empresarial?

Vitor Saravalli -  Por definição, Responsabilidade Social Empresarial “é uma forma de conduzir negócios que torna a empresa parceira e co-responsável com o desenvolvimento da sociedade” (ETHOS).
Se isso é feito de tal modo que a empresa respeite aos interesses das diferentes partes (funcionários, fornecedores, consumidores, comunidades, governo e meio ambiente), e ainda atendam aos interesses ligados à eficiência e eficácia, que normalmente se conectam aos acionistas e proprietários, então a compatibilização já estará feita.

Site -  Que recomendaria para os empresários que desejam consolidar os seus empreendimentos no século XXI?

Vitor Saravalli - Recomendaria uma aproximação imediata e prioritária com organizações e programas que possibilitem o exercício prático de tudo o que foi citado acima.
Não existirá melhor recomendação que o exercício real da incorporação dessa tal competência da Sustentabilidade à sua liderança e em sua empresa.
O tempo dirá se essa escolha valeu ou não a pena.

Referências:
1.       Cartilha Responsabilidade Social: Um Panorama Empresarial – Fundação Semear     
          http://www.fundacaosemear.org.br/conteudo/arquivos/cartilha.pdf 
       (para empresas que querem aprender)

2.       Sites: www.pactoglobal.org.br , www.pnud.org.br/odm , www.ethos.org.br, e www.gife.org.br

 

Vitor Gonçalo Seravalli, engenheiro químico pela UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), com diversas especializações e MBA. Fez toda sua carreira na empresa BASF, onde ingressou em 1984, tendo ocupado a Diretoria Industrial de Tintas e Vernizes no Brasil, de 1997 a 2005. É atualmente Diretor temático do CIESP – Centro das Industrias do Estado de São Paulo em Responsabilidade Social, membro do CORES (FIESP), do CONSOCIAL (Conselho Superior de Responsabilidade Social da FIESP), além de sócio diretor da Seravalli Consulting e consultor em Sustentabilidade.

 

8/1/2008


[Versão para impressão] [Enviar para um amigo]



 
Untitled